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As pessoas: os mestres

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O mundo anda óbvio. Os padrões invadem as casas, as festas, as relações. Antes de darmos conta estamos comprando, julgando, comendo à custa de um vazio que não cessa. Mas existem respiros. Suspiro.

Dia desses fui a um casamento nada tradicional, em um lugar fora de contexto, onde a noiva calçava um sapato azul. Em meio às conversas da mesa eu observava aquele casal. Entraram no salão para uma valsa ao som de Queen, ambos cantavam como se estivessem a sós e ela rodopiava sem amarras. Celebrava ali a sua verdade, sua escolha, sua alegria. Chamava a vida para a sua pele. De sapato azul.

Há algum tempo  viajei para um lugar inusitado, dito espiritual, onde muitos vão para seguir um guru Y. Considero válido ouvir a experiência alheia, afinal somos colocados neste mundo para compartilhar o que aprendemos. Isso é espalhar amor. Só é uma pena se privar da convivência com as pessoas do local, os guias das trilhas, os donos das lojas, o motorista do táxi. Todos ali me ensinaram lições tão valiosas que não sei se o guru no retiro conseguiria me tocar tanto quanto esse mundo chão.

Assistindo a um episódio de uma dessas séries do canal Off, Nalu pelo Mundo – a menina agora já crescida – a mãe ensina a filha, no melhor estilho home schooling, dentro de um catamarã no Taiti. Primeiro matemática,  onde, sabiamente, a mãe não poupa a filha de pensar e buscar as respostas sozinha. Depois, mitologia grega, quando Nalu lê o texto  em um inglês impecável e interpreta o que entendeu em português. Acabada a “aula” hora do recreio: a menina, que deve ter seus sete anos, sobe  em um stand up paddle, rema até um catamarã vizinho e traz dois menininhos franceses para brincar com ela. Capacidade de adaptação, enfrentar desafios, lidar com a diversidade, superar medos. Coisas que não sei se o banco da escola consegue ensinar tão bem quanto vi nesse episódio.

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Joy

Somos um pouco preguiçosos. Buscamos as respostas nas cartas do tarô, no horóscopo do dia. De tão focados na forma, no conceito, esquecemos a essência. De tão obstinados com o fim,  esquecemos de observar a motivação. De tanto que buscamos respostas, não percebemos que elas são enviadas em mensagens a todo tempo, aqui e agora.

A maestria está na simplicidade. No que é colocado à mostra sem esforço. A verdade é dita no silêncio e a sabedoria não é inteligência, é sabedoria, coisa que nasce de dentro para fora, igual a uma plantinha regada todos os dias. A vida já é escola suficiente. Tirar nota 10 na prova se torna um item absolutamente irrelevante na bagagem.

A família em que nascemos, os amigos que escolhemos, as relações pelas quais nos  envolvemos. Se pensar bem, temos um guru a cada esquina,

basta dar a oportunidade para que ele se mostre, incluindo nós mesmos. Na batalha constante entre mente e coração, razão e emoção,  emerge a nossa potência para escolher de uma forma livre, que não é rebeldia, muito menos submissão. Na matemática da vida, na mitologia da verdade, mestres são pessoas, as pessoas são os mestres.

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