SEJA HYPE VOCÊ TAMBÉM

Cabelos naturais exigem atitude

0 56

Com especialização em Nova Iorque e uma aversão a escovas e alisamentos, o cabeleireiro Bruno Dantte está provando que, quando se trata de assumir a beleza dos fios naturais, aceitação e autoestima combinam com respeito à identidade. 

 Estica, puxa, faz química, gasta um dinheirão, perde cabelo e, em alguns casos, a própria identidade. Sem falar na saúde dos fios. A busca pelo “padrão ideal” das madeixas vem se tornando coisa do passado, ou melhor, assumir o cabelo de cada um como é pode transformar-se em padrão. Isso não é novidade para Bruno Dantte, cabeleireiro há 15 anos, que especializou-se  em cabelos naturais.

Bruno Dantte: cada cabelo é único e isso tem que ser respeitado no salão

“Nunca gostei de fazer escovas ou alisamentos. Trabalhar com fios na forma natural seria fazer o que gosto da maneira que gosto. Há oito anos, comecei a me especializar, estudar, treinar e desenvolvi a técnica. Há três atingi minha autonomia”, explica Bruno, que uniu seu trabalho à técnica americana da Deva Academy, de tratar e definir os cabelos de forma natural, respeitando a estrutura que cada um possui.

Após um longo período de trabalho em São Paulo, Bruno atendeu a francesa Elise Noui, apaixonada pelos seus cabelos naturais, e após ver como ele transformou os seus cachos, convidou-o para abrir um salão em Paris, na França. Mas o amor por sua cidade falou mais alto e o cabeleireiro resolveu ficar o Rio de Janeiro, convencendo Elise a abrir o salão no Brasil. Foi aí então que surgiu o Bruno Dantte Conceito, que fica na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade carioca.

Leia Mais...
1 of 7

Ondulados ou crespos: para Bruno, um cabelo natural pode ser bonito e saudável

Além de cabelos cacheados, ondulados e crespos, no salão lida-se com aceitação e com a recuperação da autoestima. “Meu trabalho é mostrar para a cliente que um cabelo natural pode ser um cabelo bonito, saudável, que ela pode ser bonita assim.  Ela esbarrava muito no que a mãe falava, no que o marido dizia, ou no trabalho, e vivemos em ambientes que são muito preconceituosos ainda. Não que isso seja escancarado, mas o preconceito existe”, diz o profissional.

O desafio deste trabalho de aceitação é provar que cada cabelo é diferente. Cada pessoa tem uma quantidade de fios, um formato, um volume, uma definição, uma história.  “O salão possuiu uma tabela com tipos de cachos, ondas e crespos, que seriam os tipos já existentes; mas cada cabelo é único e tem a forma de você agir com ele. Tem um tipo de produto certo, uma finalização certa, um hábito, um jeito, camadas, cortes… Vejo o cabelo da cliente, a ondulação que ele tem; entendo o cabelo dela, a textura, e vou fazer o corte que ela quer de acordo com a textura dos fios”, explica Bruno.

Ainda se lida com preconceito, mesmo que velado, daí a grande procura por alisamentos

 No início do trabalho com cabelos naturais, a procura era pouca. Além disso, no Brasil, não há formação de cabeleireiros nessa especialidade.  “O problema no nosso meio é que ainda falta excelência, diferente do que acontece com especialistas em loiro ou em determinadas técnicas de corte, por exemplo. Com cabelos naturais, no Brasil, ainda há muita gente com conhecimento muito básico.

 Assim, com técnica único, o Bruno Dantte Conceito vem fazendo  sua história, ajudando mulheres no desafio de acabar com a escravidão de ter que fazer escovas ou alisamentos, e serem felizes como são.

Fotos  Caio Costa

Leave A Reply

Your email address will not be published.