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Casamento, emprego e chances de ser feliz

Nossas esperanças sobre o casamento explicam nossas frustrações com o emprego. Como conseguir ser feliz?

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“Vai ser perfeito. Vamos realizar todos os nossos sonhos. Ficaremos juntos para sempre. Nosso amor será eterno. Cresceremos juntos. Terminaremos nossa vida tomando vinho ao por do sol e lembrando os melhores momentos de nossa união incrível”.

Não, esses clichês não são expectativas iludidas sobre um cônjuge. São expectativas iludidas sobre um emprego.

Pode ser muito didático comparar o que esperamos do casamento e do trabalho. Nos dois casos parecemos seguir o mesmo roteiro trágico, ou cômico: altas expectativas, inescapável desilusão e interminável frustração.

Como viemos parar nessa armadilha? Talvez quando o trabalho deixou de ser uma mera forma de ter. Agora ele supostamente evoluiu para uma forma de ser. Você não apenas ganha dinheiro ao trabalhar. Você também ganha um papel, uma identidade, um lugar no mundo.

É aí que surgem os riscos. Se não for para ser feliz, para que trabalhar? Sim, para ganhar dinheiro; mas já não cansaram de dizer que a felicidade está acima do dinheiro? Que a prioridade é aquela satisfação que não se pode comprar? Como solucionar isso?

Alguns propõem soluções otimistas. Estelle Morin, antropóloga canadense, acredita que o trabalho pode nos satisfazer. Isso, claro, tem um preço. Sofrimento é parte inescapável desse processo, que pode ter um final feliz.

Outros propõem uma solução mais radical e desiludida. É o caso da publicitária alemã Judith Mair. Para ela, trabalho é uma tortura infelizmente necessária à sobrevivência. Não perca seu tempo: bata o cartão, faça o básico, pegue o dinheiro e vá arranjar uma vida de verdade.

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Nem Morin, nem Mair resolve nossa relação com o trabalho. Nesse jogo não há casamento ou divórcio definitivo. Podemos mudar de emprego. Mas ainda temos de trabalhar. A pergunta persiste: como ter prazer em acordar segunda feira, deixar os lençóis e bater o cartão?

Uma solução possível talvez venha da Índia – mais precisamente, das relações matrimoniais naquele país. As indianas muito são mais felizes no casamento do que as mulheres de outros países. É o que informa uma pesquisa da Universidade de Rajasthan.

O segredo dessa felicidade é o casamento arranjado. Nesse contexto, as expectativas de felicidade são baixas. O que vier de bom é vantagem. O que vier de ruim é esperado. A amargura cotidiana acaba escondida sob os episódios ocasionais de satisfação.

A pesquisa permite inferir que o mesmo talvez não aconteça em casamentos voluntários. Assinamos o contrato com altíssimas expectativas. A tendência é a de acreditar que temos direito à felicidade eterna. Se ela não vier, tudo vira amargura e divórcio.

Esse contraste oferece uma lição sobre nossa forma de se relacionar com o trabalho. Espere muito e seja desiludido. Espere pouco, aguente o pior com estoicismo e aprenda a desfrutar das pequenas alegrias que podem surgir aqui e ali.

Toda essa conversa parece chegar àquela mesma lição de sempre: em relação ao trabalho e ao casamento, não seja otimista nem pessimista. Seja realista. A novidade é que o realista certamente é o único otimista. É preciso ter fé nas coisas para aceitá-las como são.

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