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Helena Montanarini, da moda à política

Helena Montanarini é candidata ao Senado Italiano

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A jornalista brasileira Helena Montanarini – atual candidata a uma das duas vagas destinadas à América do Sul no Senado Italiano – embora formada em Desenho Industrial, tornou-se uma bem-sucedida e premiada profissional de moda, com destaque internacional.

Empresária e consultora de moda e estilo, Montanarini integra, atualmente, o recém-fundado Passione Itália, primeiro partido criado no Brasil, coligado ao partido italiano Civica Popolare para as eleições de 2018.  Ela conta com o apoio da concorrente à reeleição Renata Bueno, fundadora do partido e primeira deputada a representar o Brasil no parlamento italiano.
Antes de iniciar nosso bate-papo, conheça mais um pouco da história da jornalista.
Uma carreira de sucesso

Montanarini iniciou sua carreira na moda produzindo fotos para a revista Noticiário da Moda, da Editora Abril. Mas foi no conceituado Studio Berçot em Paris, que ela completou sua formação. Produziu desfiles para Jean Paul Gaultier, Thierry Mugler, Chantal Thomass e, na mesma época, iniciou seus primeiros trabalhos de consultoria de estilo para a indústria têxtil.

Quando voltou ao Brasil, anos depois, passou a atuar como jornalista de moda do Jornal da Tarde e, ao longo do tempo, assinou colunas nas revistas Vogue, Casa Vogue, Vip, GQ, entre outras.

A candidata ao Senado italiano, Helena Montanarini, integra o Passione Itália

Contratada pela Vila Romana, implantou e dirigiu a marca Giorgio Armani no Brasil. Também idealizou a Daslu Homem, primeira multimarca masculina de luxo do país. Curadora, assinou conceito, direção de estilo, compras internacionais, mood de lojas… Afinal, para Montanarini, “a moda nunca coube em uma só caixinha”.

Tanto isso é verdade que ela desenvolveu projetos para outros segmentos, idealizando a loja Conceito: FirmaCasa, o restaurante Dalva e Dito, além de criar figurinos para o teatro e decorar interiores.

Palestrante em eventos como o Milano Fashion Global Summit, foi apontada pela revista The Italian Fashion Weekly Magazine como uma das seis compradoras mais influentes do mundo em moda homem.

“Minha expertise é o meu olhar: saber escolher entre mil possibilidades, a melhor”, diz a jornalista e candidata ao Senado Italiano.

Mulher bonita, cheia de estilo, e uma presença marcante onde quer que vá, nesta conversa com Helena Montanarini sobre política, moda e assédio sexual, ela se revela uma mulher determinada a ampliar ainda mais seus horizontes.

Helena Montanarini e a deputada Renata Bueno: dobradinha nacional

“É importante que aconteça uma mudança transversal”

 Você tem uma carreira reconhecida e consolidada na área de moda, aqui e lá fora. De que forma a aposta em uma carreira política vai alterar sua rotina profissional?

Minha rotina profissional será completamente alterada. Uma vez eleita, a dedicação à política será exclusiva. Meu trabalho será representar os italianos e descendentes da América do Sul no Senado italiano. É claro que a moda está e sempre estará em meu sangue, isto não se dissocia.

Os políticos brasileiros estão muito desacreditados. O povo, desesperançado com o quadro atual e a falta de perspectivas de melhoria. Como você analisa este cenário?

A desesperança não se resume só ao cenário brasileiro da política. Os mesmos sentimentos permeiam a política italiana. A falta de perspectivas caminha junto a um problema de representatividade. Ao se tornarem mais complexos, a realidade, o mundo e as relações econômicas, fica também mais difícil fazer uma escolha por bandeira política, depois de tanto desapontamento. Vota-se por algo, e os planos mudam no caminho, as alianças políticas, os projetos… É importante que aconteça uma mudança transversal, tanto por parte dos representantes, com maior transparência e clareza sobre suas linhas de atuação, quanto por parte dos representados, que precisam ser cada vez mais engajados. Precisam ter a consciência de que estão delegando o poder de governança aos seus representantes, e precisam cobrar sua atuação. Quando um cidadão tem duas nacionalidades, esta responsabilidade dobra.

Ela trouxe mais de 60 marcas italianas para o Brasil 

Sua plataforma, como candidata ao Senado italiano, fala de perto aos descendentes de imigrantes que ajudaram a construir o Brasil. Que atributos fazem de você uma boa alternativa política?

Meu histórico é próximo da história de tantos imigrantes que ajudaram a construir este país. Meus pais vieram da Itália, e lutaram para construir uma vida melhor aqui no Brasil. Cresci sentindo-me tanto italiana quanto brasileira. Esta dupla valência foi fundamental para minha formação e para minhas escolhas de vida. Sempre estive no Brasil, trabalhando em relação com a Itália, ou na Itália, em relação com o Brasil. Desde o trabalho de trazer mais de 60 marcas italianas para o Brasil, até ser curadora durante o Pitti Uomo, quando levei para Florença designers brasileiros. Esta é a minha realidade. Mas minha função como senadora não é representar somente este setor, mas todos os italianos que se encontram na América do Sul. Há os jovens que querem tentar uma vida melhor tanto aqui quanto na Europa, os italianos que vieram para o Brasil logo após a segunda guerra, que sofrem com outros problemas, com questões ligadas à saúde, à aposentadoria…Há o problema do atendimento consular, que afeta não somente os ítalo-brasileiros, mas também os cidadãos residentes no Uruguai, na Argentina. Ser representante é também ser um canal para estas vozes, poder trabalhar estas agendas.

No vídeo de sua campanha, além da candidata a deputada pelo Civica Popolare, Renata Bueno, o empresário Andrea Matarazzo e o jornalista Cesar Giobbi a apontam como alguém competente e digno do cargo. Este é o maior desafio que já assumiu profissionalmente? 

Assumi muitos desafios em minha trajetória profissional, mas, certamente, o desafio da política é o maior deles. Entrar na política como representante corresponde a um desejo de participar ativamente da vida pública, abandonar uma postura de reclamação. Por isso, é preciso renovar e se colocar em jogo, ouvir as partes, ser este canal.

Montanarini nunca pensou em desistir

Houve algum momento, depois que resolveu concorrer ao Senado italiano, que pensou em desistir?

Absolutamente, não!

 Como seus amigos – jornalistas ou não – receberam a notícia de sua candidatura?

Todos, de forma muito positiva. Me conhecem e sabem que sempre fui muito engajada nos pequenos grupos, no trabalho, com os vizinhos, criando novas parcerias.

O que você acha que irá enfrentar, se eleita?

Um árduo trabalho, recompensado por estar engajada na mudança ativa por um mundo melhor. Há, para além das eleições, o desafio de uma formação de governo na Itália. Há a enorme responsabilidade de criar uma base forte de informação entre representantes e eleitores para que estejam sempre informados sobre o dia a dia no Parlamento, as questões enfrentadas, os desafios. É importante que haja uma continuidade nesta relação entre representantes e representados. As mulheres possuem uma tenacidade especial para enfrentar árduos desafios.

Você é feminista?

Sim.

“As mulheres não vão mais se calar”

 Como você vê a atual onda de empoderamento feminino?

Empoderamento é a palavra da moda. É muito importante que as mulheres tenham tomado o espaço público e tornado, de certa forma, o particular algo político – penso nas campanhas que relatam os assédios sofridos no cotidiano, seja físico ou moral. As mulheres não vão mais se calar. Mas, acredito na importância de uma palavra mais carregada de significado. Empoderamento nos faz pensar em poder, já potência é algo bem mais fecundo, e pode trazer um espaço mais amplo para o diálogo e para a transformação.

 Como lida com o assédio?

É um alívio que hoje as coisas possam ser ditas, declaradas. No passado era muito comum calar sobre a experiência de assédio, por culpa ou vergonha. O mundo parece mudar lentamente, mas há uma mudança.

 Como você define seu estilo?

Meu estilo se reflete em meu estilo de vida. Ele é minimalista, consciente e também participativo. Gosto de conhecer pessoas, ouvi-las.

Sobre homens e luxo

Você foi responsável pela idealização da Daslu Homem, primeira multimarca masculina de luxo do país. De lá para cá, o que acha que mudou no comportamento do consumidor masculino?

Nos anos 1990, ainda eram as mulheres que compravam roupas para os maridos. Mas, depois de ganharem um espaço próprio, os homens começaram a se interessar por seu próprio estilo, não queriam mais a interferência das esposas e namoradas.

 Qual é o seu luxo?

Hoje, luxo é o novo luxo, não é ostentação. O luxo é o modo de viver, de apreciar os pequenos luxos. Por exemplo, ter tempo para si, fazer meditação… Não é mais uma coisa consumista. O novo luxo é ter uma casa mais minimalista, andar a pé, de bicicleta, fazer sua própria comida, viajar, receber amigos e dedicar – se mais a si mesmo. Conseguir – na medida do possível – da mídia social. Ter tempo para ouvir as pessoas, escrever uma carta à mão…

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