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Joy

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Na definição mais rasteira e mais profunda, a palavra “joy” significa alegria, felicidade. Sugiro que “joy” fique sem tradução, mas somente se mantenha na sensação do som que produz.

As palavras podem reduzir por demais os significados, porque os sentimentos não dão conta de dizer um fonema.

Inspirada no filme de mesmo nome, que conta a história baseada em fatos reais dessa mulher combatente, uma não desistente, digo que “joy”, na sua mudez, significa resiliência, crença.

Mas para acreditar em si mesmo é preciso que alguém, uma alma viva que seja repouse sobre mim esse olhar de crença. Eu só acredito porque alguém me olhou nos olhos, em algum momento da vida, e me disse que eu poderia. Às vezes, pode ser numa batalha interna, a própria criança esperneando para ser ouvida.

E assim foi com Joy. Desde muito pequena, em meio a uma família conturbada, uma irmã invejosa, mãe depressiva, um pai ausente, dois filhos e um ex-marido, havia uma avó que dizia: “Você nasceu para ser um agente tranquilizador. Será uma matriarca e inventará as coisas que quiser inventar.”

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Joy é um filme de mulheres, contado por mulheres e assistir como mulher tem um gosto especial. Tudo se desenrola sob a narrativa da avó e os olhares atentos da neta. Uma inegável herança que se opera pelo não dito. A menininha (filha de Joy) assiste às dificuldades, tentativas, sucessos e fracassos da mãe, que não faz a mínima questão de poupá-la da verdade, sobretudo dos seus sentimentos. É melhor que seja assim, pois as crianças sabem tudo – e são craques em perceber, especialmente, o que não é dito.

Joy é a felicidade – não essa vazia e fácil – , aquela que não desiste e não se abate. Que invade todos os obstáculos, porque sabe exatamente o que quer, e, aos tropeços, descobre como fazer. Cai e levanta. Rala o joelho, corta as mãos, faz curativo, tenta de novo, chora no meio e tenta de novo.

Impossível não se identificar, sobretudo se reconhecendo mulher que luta diariamente para se fazer valer nesta vida. Impossível não se identificar quando a maioria de nós vê o topo da montanha, mas nos sentimos incapazes de iluminar os degraus, ou empurrar as pedras do caminho.

Nesse relato quase tosco do filme, sem nem mencionar o brilhantismo da protagonista – que fique claro aqui que Jennifer Lawrence ofuscou Robert DeNiro e Isabela Rosselini juntos – adivinhe? Não existe topo sem caminho. Em tempos de crise, descrenças e pessimismo – nem começo essa conversa – Joy é um suspiro de…alegria.

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