JULIANA GERMANN

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Conversei com a jornalista, palestrante, consultora e professora de oratória Juliana Germann, que está lançando um livro tão curioso como instigante: O que os homens jamais devem fazer na hora do sexo. No manual, a autora aponta as atitudes que eles adotam na cama, e que as mulheres abominam.

A ideia de escrever o manual O que os homens jamais devem fazer na hora do sexo (PalavraCom Editora) nasceu quando Juliana vivia e trabalhava no Rio de Janeiro, onde ligou-se a um grupo de amigas, com quem se encontrava, frequentemente, para conversar, brindar e rir muito. Dessas conversas e (in) confidências nasceu o livro que, generosamente, Juliana diz ser “de cada mulher que contribuiu com sua história e opinião sobre o tema”.

A autora, que é de Florianópolis, promete, no futuro, uma versão masculina de seu manual:  “Os homens estão pedindo…”,diz Juliana. Saiba mais, conferindo a íntegra de nosso bate-papo.

 É sua primeira incursão pelo tema sexo?

Sim, é a minha primeira aventura como escritora, e justamente tendo o tema sexo como mote. Mas essa é uma obra de humor, acima de tudo, não de sexologia. A ideia de escrever um manual de coisas que os homens jamais devem fazer na hora do sexo nasceu de forma despretensiosa, após ouvir muitas queixas semelhantes de amigas sobre atitudes pouco louváveis dos homens na ‘hora h’. E eram padrões que se repetiam. Como jornalista, acendeu aquela luzinha da curiosidade: ‘Mas será que eles não se tocam que as mulheres não gostam disso´? Ainda em tom de brincadeira, comecei a dizer que escreveria sobre o tema, e foi desta forma que nasceu essa pequena obra. Entrevistei dezenas de mulheres. Alguns depoimentos foram muito engraçados, outros bastante densos, mas o meu desafio foi manter o foco para ser, acima de tudo, uma obra bem-humorada. E tão divertidas quanto os textos são as ilustrações do chargista catarinense Alvaro de Vasconcellos, de quem sou grande fã. Mandei os textos e o Alvaro soube captar com precisão a comicidade de cada tema, em desenhos engraçadíssimos. Foi uma parceria maravilhosa, e nos divertimos do início ao fim.

As ilustrações de Alvaro de Vasconcellos, satirizam as situações do manual

Os homens são mesmo tão pouco habilidosos quando o assunto é relacionamento sexual?

Muitos homens aprendem sobre sexo vendo filmes pornôs ou na internet, que oferece uma gama pouco qualificada de conteúdo. E eles passam a acreditar que é desta forma que deve ser feito, o que é um ledo engano. Como conseqüência, por exemplo, muitos não sabem estimular devidamente a região clitoridiana, muitas vezes até machucando as parceiras, sendo agressivos e estando preocupados somente com o próprio gozo. Por outro lado, ficou claro, durante as entrevistas, que a maioria das mulheres tem alguma experiência que foi muito marcante e que serve de parâmetro para o que deve ser feito. Como digo no livro, que tem como foco as atitudes pouco habilidosas dos homens nas relações sexuais, o sucesso do encontro não tem nada a ver com a beleza do parceiro ou com o tamanho do seu órgão genital. Existe o consenso de que os homens mais interessantes são aqueles que têm pegada e que fazem as parceiras se sentirem desejadas. Eles se empenham para serem grandes amantes, colocando o prazer da mulher no foco e fazendo do ato sexual uma troca de experiências.

Existe algo recorrente, na atitude masculina, que as mulheres, em geral, odeiam quando estão na cama com o parceiro?

De uma maneira esmagadora, diria 90% das mulheres, é decepcionante quando o homem pensa somente no próprio prazer e não dá à mínima se a ela está devidamente estimulada, se está gostando e se chegará ao orgasmo. São os egoístas na essência, que apenas querem penetrar e gozar, sem se importar com o envolvimento da parceira. Essa atitude egocêntrica é motivo de muita frustração para as mulheres. Algumas chegaram a dizer que se sentem como bonecas infláveis, já que estão ali apenas para que o outro se satisfaça. Se for uma relação esporádica, menos mal, pois ela provavelmente não repetirá a experiência com a mesma pessoa. O problema é quando isso ocorre entre os casais, e a quantidade de queixas que ouvi neste sentido foi enorme. Os parceiros já não têm mais tesão e o sexo se tornou obrigação. Muitos fazem somente para “cumprir tabela”, de modo frio e distante, fazendo com que a mulher se sinta preterida na cama. E é muito triste quando casal se desconecta desta maneira.

Como você acha que os homens irão receber seu livro e suas dicas?

 Eu percebo que as mulheres estão mais abertas e receptivas ao conteúdo do manual. Elas, realmente, se divertem lendo o texto, e esse foi o objetivo do livro desde o início: ser uma obra de humor. Já os homens dão aquele sorrisinho amarelo, com ar meio sem graça, provavelmente pensando se têm algumas daquelas características. O que eu gostaria é que o manual servisse de alerta bem-humorado sobre como evitar certas características que incomodam bastante as mulheres.

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 Quais são as mais frequentes queixas femininas, em termos de sexo, que seu livro aponta?

 A maioria das mulheres que entrevistei reclamou da pouca habilidade que alguns homens têm na hora de estimular o clitóris. É comum o parceiro fazer sexo oral ou mexer na região clitoridiana com muita força e a mulher sentir ‘choquinhos’ ao invés de prazer. Se o homem não tiver a sensibilidade para perceber se a parceira está gostando, provavelmente ele continuará fazendo com força, o que pode ser bastante desagradável. Algumas chegam a pedir calma, menos força ou dão as orientações para que ele a estimule corretamente. Outras, no entanto, ficam sem graça de falar e o sexo acaba sendo uma tortura. Ou seja, a falta de habilidade para estimular o clitóris é uma queixa frequente. Outra bastante comum é a tara que alguns homens têm pelo sexo anal e o quanto machuca se não for feito com os devidos cuidados. Alguns homens parecem verdadeiros trogloditas e não têm o menor cuidado com as suas parceiras, o que acaba sendo motivo de muitas queixas.

Dos tipos citados no livro, o que mais me deixou curiosa foi o “carente”. Fale um pouco mais sobre esse perfil…

 O carente é aquele homem que vive com cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança. Ele demanda atenção o tempo todo, sempre acha que a mulher está preterindo ele, vive pedindo carinho, se a parceira sai do lado diz que ela o está desprezando. É o típico homem chiclete, dependente, grudento e chega a ser sufocante com tanta exigência de dedicação o tempo todo.

Pensa em escrever uma versão masculina: ´O Que as mulheres deveriam saber´…?

Acho que serei obrigada a escrever, já que os homens estão pedindo (risos).  Já ouvi várias histórias que eles contaram – muitas engraçadíssimas! –  e, cá entre nós, algumas mulheres precisam mesmo de um manual. Definitivamente, ter DR na cama ou ficar cheia de não me toque, mais preocupada com o peso e com a celulite do que com o prazer, são características quem broxam os homens. A atitude segura da mulher e a sua personalidade confiante são grandes afrodisíacos, muito mais do que o corpo perfeito.

O que homens e mulheres deveriam aprender com o sexo que ninguém ensina?

Todos nós deveríamos aprender em como dar e receber prazer no ato sexual. E esse é um aprendizado constante! É saber degustar o parceiro na cama, identificando todos os sinais de que a pessoa está entregue. É aprender a ir além do próprio prazer para fazer com que esse momento de grande intimidade seja estimulante para os dois. O sexo vai muito além da penetração e do gozo. Tem todo um jogo de sedução até chegar ao clímax. Envolve toque, beijo, carícias, sons e uma troca poderosa de energia. Quando mal feito, a excitação se transforma em frustração. Mas quando a química se transforma em combustão, todas as células do corpo agradecem.

Qual é o papel do sexo em sua vida?

 O sexo faz parte da minha vida e sempre foi encarado de uma forma muito natural, sem tabu ou preconceito. Quando decidi iniciar a minha vida sexual, a minha mãe me levou ao ginecologista. Comecei a tomar pílula e aprendi sobre a importância do uso do preservativo para evitar doenças sexualmente transmissíveis. Portanto, eu estava bastante segura na minha primeira vez, e foi ótimo. Essa relação de confiança com a minha mãe e a forma natural como o assunto sempre foi tratado entre nós foi essencial para que eu me tornasse uma mulher adulta bem resolvida neste sentido. E sou muito grata a ela por isso.​

 Mais sobre a autora

 

Juliana Germann nasceu em Florianópolis (SC) e formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Em 1996, foi morar no Rio de Janeiro e ingressou na TV Globo. Na emissora carioca, especializou-se no segmento on-line, com MBA em E-business. Passou por diferentes funções, e viveu “momentos de imenso aprendizado”, tendo participado da cobertura das Olimpíadas de Sydney, em 2000. Após 12 anos na emissora carioca, aceitou o convite para integrar a equipe de Mídias Digitais da EBX. Saiu após dois anos para investir na carreira de palestrante, consultora e professora de oratória, media training e comunicação empresarial. Em 2013 voltou para Florianópolis, onde restabeleceu as suas raízes.

1 Comment

  1. Claudia says

    Gostei. Texto leve e informativo.

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