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JULIANA RAKOZA

Conversei com a makeup artist oficial Maybelline NY Brasil na semana em que ela esteve em Vitória para ministrar um workshop. Ao contrário do que se possa imaginar não são apenas os assuntos de beleza que ocupam Juliana Rakoza. Ela também se preocupa com inclusão social.

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Quando se olha para Juliana Rakoza,  a expert  em makeup, uma das primeiras coisas que chama à atenção é sua beleza e sua pele alva, tatuada. Famosa por maquiar atrizes globais como Camila Queiroz, Claudia Raia e Marina Ruy Barbosa, por suas hábeis mãos também já passou a digital influencer Chiara Ferragni (@chiaraferragni), que ela preparou para o desfile da Louis Vuitton no Brasil.

Juliana, que esteve em Vitória, recentemente, para ministrar um workshop, estudou com maquiadores vencedores do Oscar e, também, coapresentou o quadro Você Mais Poderosa (Mais Você – Globo).

Neste babe-papo, ela fala sobre sua arte, suas tatuagens, alerta para os cuidados com os conselhos de make-up extraídos da Internet, e revela-se envolvida com questões sociais.

Juliana e suas tatuagens: “Sou fascinada por borboletas”

Maquiadores não precisam cursar Arte ou ter iniciação na pintura para atuar, mas necessitam de muita habilidade estética, especialmente com os pinceis. Poderíamos,   inferir, então, que arte e makeup têm parentesco?

Sim. Você precisa entender as cores, como elas se combinam, se neutralizam, para criar técnicas de camuflagem na pele, para combinar a cor do olho com a sombra e valorizar a tonalidade de pele da cliente. Muitas vezes, as pessoas não cursam arte ou outro tipo de faculdade relacionada. Geralmente, fazem um curso e, depois, se interessam por artes. São poucos os que vêm das artes para a maquiagem. Conheço alguns, mas são bem poucos. Eu vim da moda, fazia faculdade, desenhava os croquis e senti semelhança quando fui fazer face chart (representação gráfica de um rosto para criar maquiagens)

Você considerou, em algum momento de sua vida, a possibilidade de trabalhar em outra área?

Eu queria ser jornalista e fui cursar Letras, na USP. Queria fazer pós em jornalismo. Abandonei e fui fazer faculdade de moda. E no meio do caminho, resolvi fazer um curso de produção de moda no Senac. Meu objetivo era ser stylist e não maquiadora. Fui trabalhar em uma loja de maquiagem para ganhar dinheiro e pagar a faculdade, e achei incrível. Comecei a fazer uns trabalhos na São Paulo Fashion Week, como maquiadora, e vi que não tinha vocação para ser stylist. O que eu gostava mesmo era de maquiagem. Desde pequena, sempre me via em um backstage, não sabia fazendo o que, mas depois eu descobri que era maquiagem.

Maquiar pessoas bonitas, de traços perfeitos, pele sedosa…parece uma tarefa fácil. Qual a diferença entre maquiar Chiara Ferragni e uma pessoa que não é dotada de beleza?

Faz muita diferença maquiar uma mulher bonita, que tem pele perfeita, olho amendoado, que não está caído, que não tem linhas de expressão. É mais fácil para deixar a pessoa bonita quando se é maquiador de moda. Mas é preciso entender muito de geometria facial, de cor, das tendências, do que valoriza a mulher. É mais fácil, mas tem que dominar técnicas específicas. Fazer transformação é muito mais complicado. Olhar e ver o que aquela mulher tem de melhor no rosto, e tentar realçar e esconder o que não a valoriza. Usar técnicas de camuflagem, cobrir a pele sem ficar pesada, deixar natural, é realmente mais difícil.

Juliana, ao lado da americana oscarizada Ve Neill, maquiadora favorita de Johnny Depp e Tim Burton

 É possível tornar-se uma makeup artist usando as 66 lições de seu e-book ?

Queria ter tido um livro, quando comecei, há 13 anos. Estaria anos luz à frente do que estou hoje. Queria muito que tivesse uma pessoa para me falar quais são os caminhos, o que eu devo fazer ou não, como me comportar, como criar meu portfólio. Na minha época, ninguém mostrava o caminho. Bati muito a cabeça. E o livro não vai tornar você um maquiador com uma técnica perfeita, porque técnica é treino. Mas vai mostrar o caminho para ser um maquiador bem-sucedido, e isso faz muita diferença. Tem técnica de marketing, como tratar uma cliente, como se comportar no trabalho…

 Você tem o corpo tatuado…Tatuagem pode ser considerada uma espécie de maquiagem?  

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Tatuagem é uma forma de arte. Todo desenho e pintura é arte. Depende muito de quem interpreta a tatuagem. Tem gente que olha de forma mais preconceituosa mesmo…Já tive vários momentos em que me deparei com isso, mas tem gente que vai achar maravilhoso. Quando fiz minhas tatuagens, há muitos anos, senti que as pessoas mais velhas, aqui no Brasil, não curtiam. Quando fui pela primeira vez à Miami, as pessoas me olhavam na rua, achavam incrível. Hoje, é diferente, é comum as pessoas se tatuarem. E eu fi z essas tatoos para marcar alguns momentos da minha vida, precisava me expressar. Eu sou fascinada por borboletas. Tenho duas tatuadas na parte de trás da coxa. Hoje, vejo e falo que foi intuitivo, porque cheguei e falei que queria fazer borboleta, mas nem sabia que gostava tanto de borboleta quando fiz. E, hoje, quando estou em algum lugar, e vejo uma borboleta, ela me inspira para maquiar.

Há muito material na Internet ensinando automaquiagem. O que você acha que falta ensinar ainda?

Tem muita gente ensinando maquiagem na internet, sim. Tem muito material bom, mas tem material duvidoso. A primeira coisa a fazer é investigar quem é a pessoa que está ensinando, se ela tem algum fundamento, está em algum livro, é coerente. Hoje, qualquer pessoa pode dar uma dica na internet, mas pode ser oposta ao que o profissional falaria. Tem pessoas sérias, mas tem muitos amadores também. Posts sensacionalistas, com foto do rosto pintado para ganhar like, mas não é a vida real. Você vê a pessoa se maquiando para aquele formato de rosto, e aquele formato de olho, quem está assistindo …, não tem aquele formato! A verdade é que algumas técnicas da pessoa que ensina automaquiagem na internet não vão servir para todo mundo. Muitas mulheres chegam e falam que querem, por exemplo, o cut crease, mas têm o olho caído, e não vai ficar bom.

Aqui, com a atriz Camila Queiroz: “faz diferença maquiar uma mulher bonita”...

 Fale sobre o AudioMakeUp, que foi inspirado em sua avó, deficiente visual…

É a minha alma e eu coração. Esse é o meu diferencial, e o que pode fazer diferença no mundo. Minha avó é deficiente visual, perdeu a visão com 40 anos por conta de um glaucoma que descobriu em estágio avançado, quando minha mãe tinha nove anos. Eu cresci com a minha avó cega, e ela sempre “me enxergou”. Quando eu vi essa possibilidade de ajudar deficientes visuais a se maquiarem, pensei porque não tinha isso no tempo da minha avó, faria toda a diferença se ela pudesse ter esse cuidado.

E quanto ao MakeUP Lab Solidário?

O AudioMakeup foi criado em parceria com a Maybelline para ajudar deficientes visuais e foi o primeiro curso de automaquiagem em áudio do mundo. Participei com o conteúdo, fiz todo passo a passo do site. Depois, comecei com as aulas de maquiagem presenciais. A primeira foi no Adeva – Associação de Deficientes Visuais e Amigos, para 30 deficientes visuais, e inclui até minhas alunas da Makeup Lab, meu curso online, como forma de estágio. Depois disso, veio o Makeup Lab Solidário, a inclusão das pessoas que querem se profissionalizar na área de beleza e de maquiagem, e das pessoas que precisam. Afinal, podemos mudar o destino dessas pessoas e mudar a vida delas para melhor. Recentemente, fiz o Makeup Lab Solidário no Instituto do Tratamento do Câncer Infantil para familiares e pacientes. Dei cinco bolsas do meu curso online para as meninas que mais se destacaram, produtos de make para elas começarem e certificado. Tem uma que fez o curso, ganhou a bolsa e foi chamada para trabalhar em uma ópera. Fico muito feliz em poder ajudar de alguma maneira.

Você participa de outras ações sociais?

Também agito doações de agasalhos, cobertor, alimentos… A próxima parada do Makeup LabSolidário vai ser em uma instituição que cuida de crianças com paralisia cerebral. Uma ONG vai doar 30 cadeiras de rodas. Vou dar um curso de automaquiagem para as 30 mães, e as minhas alunas – sempre dou oportunidade de estágio em aulas presenciais – que acabaram de fazer um curso de maquiagem artística, vão treinar nas crianças. Vai ser bem legal.

 Você se maquia diariamente?

Sim, mas no dia a dia é uma maquiagem mais natural, mais simples. Até mesmo por conta da minha agenda. Nos olhos, uso um marrom no cantinho e máscara de cílios. Na pele, base, pó, corretivo, blush e um batom cor de boca. Mas no dia que vou dar um workshop ou me apresentar em algum lugar, eu capricho mais na make.

 Mais sobre Juliana Rakoza

Ela  coleciona várias histórias e feitos na área da beleza. Integrou o grupo de top maquiadores do desfile da Louis Vuitton, no Rio de Janeiro, para a apresentação da coleção Cruise 2017, em que maquiou a modelo e blogueira Chiara Ferragni (@chiaraferragni) e a modelo Kim Jones (@kimcamjones) para um editorial da marca, e também foi consultora de beleza do Programa Mais Você (Globo), além de coapresentadora do quadro Você Mais Poderosa do programa.

Juliana Karkoza tem um jeito prático e criativo de falar sobre o universo da beleza, acumulando um público de mais de 278 mil pessoas nas redes sociais. Ministra cursos vips e profissionais de maquiagem presenciais.

Inúmeros trabalhos com reconhecimento internacional também ajudam a moldar sua experiência, que resultou na elaboração do e-book “As 66 lições de vida que me transformaram em uma make-up artist”, baixado por mais de 35 mil pessoas, e que deverá ganhar versões em inglês e espanhol.

 

1 Comment
  1. Gostei das dicaѕ e irei testar. Muito bom artigo.

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