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Suicídio aumenta entre crianças e adolescentes

Suicídio e os sinais de alerta

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O suicídio envolvendo crianças e adolescentes faz parte de um levantamento do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais. O estudo tomou como base dados do Ministério da Saúde, que confirmou um expressivo aumento no número de casos no Brasil.

De acordo com a pesquisa, entre 2000 e 2015, os suicídios cresceram 65% entre pessoas com idade entre 10 e 14 anos, e 45% de 15 a 19 anos. Isso representa mais do que a alta de 40% na média da população. Casos recentes de suicídios de estudantes de colégios particulares em São Paulo acenderam um sinal de alerta em pais e escolas.

Suicídio fora da pauta

A psiquiatra e psicanalista capixaba Maria Benedita Reis não nega que o suicídio seja subvalorizado pelas autoridades de saúde. Segundo a especialista, o suicídio não tem sido priorizado como um problema de saúde pública. “Ele não está, ainda na pauta da atenção básica em saúde.Também não está no currículo e na formação dos futuros médicos e outros profissionais da área de saúde. Na verdade, é como se o problema estivesse em um limbo, numa posição de assunto tabu, ainda condenado por leis religiosas e sociais”.

 

 Maria Benedita:  tema tem que entrar no currículo e na formação de médicos

Maria Benedita diz que pesquisa recente concluiu que os médicos residentes não estão familiarizados com a produção científica especializada sobre o tema. “Eles sequer conhecem os procedimentos normatizados, tanto no Brasil quanto no exterior, sobre o atendimento ao paciente em risco de suicídio ou a seus familiares”, assegura ela.

 Viver pode ser bom

“Estamos nos ocupando demais e vivendo de menos. Se passarmos mais tempo ao lado dos filhos, conseguiremos perceber suas diferenças. Mesmo que eles não queiram dizer os problemas, podemos, ao perceber, buscar soluções”, diz o filósofo Fabiano de Abreu, autor do livro ‘Viver Pode Não Ser Tão Ruim´.

No livro, o autor busca, na filosofia, teorias que possam ajudar as pessoas a conquistar uma vida melhor.

Bulling e pressões que afetam os jovens

“No período da adolescência, e mesmo da pré-adolescência, os indivíduos têm uma vulnerabilidade muito grande em relação ao bulling e às pressões sociais, entre outros fatores. As redes sociais levam ao aumento de ansiedade e até de depressão. Seja por comentários maldosos ou até pelos famosas fake news, que viralizam instantaneamente”, diz Abreu.

Segundo ele, a simples atitude de bloquear conteúdos e fiscalizar seus passos, pode alterar o destino de uma criança.Se dividirmos nosso tempo em nos distrair com os filhos, ao invés de dar a eles um tablet e um telefone, para que se calem, estaremos contribuindo para evitar muitos problemas”,entre eles o suicídio,  reforça o filósofo.

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Abre: redes sociais causam  aumento de ansiedade e depressão
Abusos que disparam gatilho do suicídio

Segundo dados do Disque 100 (Disque Direitos Humanos) e do Sistema Único de Saúde, mais de 120 mil casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes foram registrados no país entre 2012 e 2015.Isso quer dizer pelo menos três ataques por hora.

E a situação não para aí: no primeiro semestre de 2017, nove mil casos de abusos foram denunciados. Os números estão crescendo cada vez mais, e estima-se que sejam ainda maiores. É que a maioria das vítimas sofre em silêncio, carregando as consequências psicológicas desta violência por toda vida.

 

Depoimento de vítima de abuso

“Aos 10 anos começaram os carinhos mais íntimos. Eu não sabia identificar ainda, mas tinha certeza que algo ali estava errado. Comecei a cultivar um ódio dentro de mim pelo meu padrasto…

O simples fato de ele existir, já ameaçava minha existência. Os anos foram passando, esses carinhos se tornando abusos. Comecei a perceber o que estava acontecendo. Deus não esteve presente. Por vezes, implorei para ser libertada daquele monstro, mas não acabava”.

 

Tentativa de denúncia frustrada

Fiz algumas tentativas em expor o que estava acontecendo, mas fui desacreditada e castigada pela acusação. Fui, inclusive, obrigada a aceitar meu destino, até acontecer o mesmo com minha irmã caçula. Mas ela foi mais forte que eu. Gritou ao mundo o que havia acontecido com ela.

Com isso, pensei que seria liberta, mas não estou. Mesmo sabendo que ele está pagando criminalmente pelos crimes, sinto que algo grande de mim foi roubado.

Não sei mais quem sou, não confio em ninguém, não acredito em Deus. Me perco em meus pensamentos, o mundo não tem mais cor…  Tentei acabar com a minha vida e ainda fujo de casa sem rumo, à espera de me reencontrar. Nunca e nada vai apagar o que passei…” ( relato de R.M.S, 16 anos).

Abusadores na própria família

 No Brasil, 95% dos casos de violência sexual contra menores são praticados por pessoas conhecidas das crianças, e em 65% deles, vem de pessoas da própria família.

O abusador manipula emocionalmente a criança, sem que ela perceba que é vítima e, que os “carinhos” são, na verdade, abusos. Esta manipulação, leva a criança ao silêncio, por sensação de culpa. No futuro, isso pode manifestar-se em quadros de   distúrbios de comportamento, como a autoflagelação e tentativas de suicídio.

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