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Um livro nascido da dor

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Tradutora e bacharel em Direito pela Ufes, Sonia Sancio Landrith está lançando, nesta quarta-feira (21), às 18 horas, no Núcleo Regional do Centro Cultural Justiça Federal, em Vitória, seu quarto livro, “Onde as Certezas Moram”, no qual faz um corajoso relato de sua luta para vencer um câncer.

A dolorosa rotina começava na terça de manhã e só terminava na quinta-  feira.  “Durante esses dias eu não sentia muitos efeitos colaterais, mas, quando a bolsa era retirada e o cateter limpo, começava a senti-los em uma sequência que muito me machucava. Além de insuportáveis distúrbios intestinais, minhas mãos levavam choques térmicos, minha boca não podia receber nada gelado. Sentia dores terríveis. No outro dia, prisão de ventre, que resultou em um dos piores efeitos colaterais que senti. Ficava de cama nove dos 14 dias, entre uma sessão e outra. Do nono dia em diante, começava a me sentir melhor e escrevia… Depois, vinha a próxima sessão, e tudo se repetia.  Quando dei por mim, sete meses haviam se passado e um livro nascido”, resume a autora.

Sonia diz que o livro descreve sua vida, sua experiência com a quimioterapia, e traz informações importantes para pacientes com câncer. Mas ele, também, é “uma mistura de crônicas e sentimentos colocados nas letras”.

Revela, também, que a obra é um ato de coragem, porque, nela, expõe às pessoas sua humanidade e vulnerabilidade. “Não tenho vergonha alguma de contar que eu tive um câncer no auge de minha realização pessoal”.

Para Sonia, escrever significa expor sentimentos, juntá-los em contos, crônicas, ou poesia, de maneira leve, que é o seu estilo.  Foi assim desde que era adolescente. “Nunca coloco palavras ´feias´ em meus escritos. Tudo que escrevo é com a alma”, diz a autora.

 Depoimento

“Ficar doente virou minha vida de cabeça para baixo. Eu era muito ativa; participava de quase todas as atividades culturais do Estado. Era primeira secretária da Academia Feminina Espirito-Santense de Letras, frequentava saraus, teatro, produzia poesias, haicais e crônicas semanalmente…Minha vida de dona de casa começou três anos antes de eu adoecer. Adorava descobrir receitas, limpar a casa, lavar roupas, viajar em excursões com meu marido. Tinha muitos amigos! A doença veio e me derrubou fisicamente; não tinha condições de participar de mais nada. Um cinema de vez em quando era o máximo que nós fazíamos de diferente. O sonho de nossa casa na terra do meu marido foi deixado para mais tarde… A passagem que ia ser comprada perdeu a batalha em uma semana, o tempo que durou para descobrir que eu tinha um tumor e que urgia tratamento”.

Mesmo com todo sofrimento, Sonia não se diz pessimista.  “No começo, fui assaltada por um pavor imenso.  Mas a fé me acompanhou o tempo todo. Venho de uma família muito religiosa, e herdei a fé do meu pai, de sua mãe e de suas primas, tias… É muito forte a minha crença de que existe Alguém além de nós”, assegura ela.

 Que conselhos você daria às pessoas que enfrentam o mesmo problema?

— Não tenho condições de aconselhar, mas posso dizer que, devagar, as coisas vão se encaixando. Primeiro vem a aceitação do tratamento, com a confiança nos médicos. Não devemos nos entregar ao abandono social, e muito menos permitir que nos tratem como seres de outro mundo. É preciso enfrentar todas as consequências da doença com dignidade. Procurar ter a melhor qualidade de vida possível, valorizar o seu bairro, as flores, o mato, o mar e as pessoas, as verdadeiras amizades e a descoberta de novas e leais pessoas em nossa vida. Enfim, partilhar as dores, as alegrias e as vitórias”.

Mais sobre a autora

Ainda muito jovem, ela foi estudar nos Estados Unidos. Mas foi em Santa Teresa (ES), cidade em que nasceu, que Sonia Sancio começou a escrever. Tinha apenas apenas 14 anos quando seu primeiro texto foi publicado no jornal “A Voz”. Daí em diante, foram muitos artigos, contos e reportagens.

Em 2004, veio o primeiro livro, “Portais da Alma”, uma coletânea de poemas patrocinada e apoiada pela Arcelor Mittal, onde Sonia trabalhou por 30 anos.

Depois do segundo livro, “Lua Perfeita”, nascia, em parceria com sua irmã, Maria Cecília Sancio Loss, “Contos de Saudade”, onde elas contam as histórias de sua terra natal com bom humor.

Sonia participou de várias antologias ao longo dos anos. Publicou 29 e-books, registrando 41 mil acessos. Participou de cinco edições da série “Escritos de Vitória”, onde assinou crônicas, e diz amar as antologias da Academia Feminina Espírito -Santense de Letras, da qual participa, ocupando a cadeira número 40.

Acadêmica correspondente da Amaletras – Academia Mateense de Letras, e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Sonia assinou teve textos publicados no Caderno “Pensar”, de A Gazeta.

Seu site registra mais de 400 mil visitas, e é lá que  Sonia publica seus textos e seus quase 200 áudios. A autora também assina um blog, “Amor de Poeira”, que tem seguidores em vários países.

Serviço

Lançamento do livro “Onde as Certezas Moram”

Dia: 21 de junho, às 18 horas

Onde: Justiça Federal do Espírito Santo

Endereço: avenida Mascarenhas de Moraes, 1877, Monte Belo – Vitória/ES

1 Comment
  1. Sonia Sancio Landrith says

    Um trabalho magnífico, que agradeço MUITO!!!

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