Um silêncio libertador

0 25

Convivo diariamente com o espanto das pessoas que me conhecem e daquelas que acabo de conhecer, ao saber que não uso o bendito WhatsApp. Minha família, colegas de trabalho e clientes, todos questionam minha decisão. Como sou cobrada cada vez mais com maior veemência, resolvi escrever esse texto explicando meus motivos.

Para começar, estamos viciados. Fisticados. Em qualquer lugar, a qualquer momento do dia, não conseguimos deixar de lado o objeto de nossa dependência. Dormimos ao lado dele, acordamos com ele, o levamos para o banheiro e para o café da manhã e, se, por enorme azar, o esquecemos em casa ao sair, voltamos desesperados.

Somos incapazes de ficar mais de um minuto sem olhar para ele. É através dele que nos conectamos com o mundo, com os amigos, com o trabalho. Sabemos da vida de todos e informamos a todos o que acontece por meio dele. Os neurocientistas dizem que ele nos fornece pequenos estímulos prazerosos dos quais nos tornamos dependentes. Oh, céus!

Ah…, o tempo todo e em qualquer situação, as pessoas param, olham a tela do celular, dedilham uma mensagem. Enquanto conversam. Enquanto namoram. Enquanto participam de uma reunião. E, pior de tudo, até mesmo enquanto dirigem.

Sinceramente, eu acho o Whatsapp muito chato. Sei que não darei conta de tantas pessoas querendo uma resposta rápida ou me vigiando, se visualizei ou não a mensagem. Não suporto ficar alienada a olhar o celular a cada sinal de som ou de luz emitidos pelo aplicativo. Também não me imagino gastando tempo para sair de grupos ou apagando fotos desinteressantes.

E tem mais: as piadas que circulam no WhatsApp ainda são as mesmas que eu recebia no século passado, por e-mail. No máximo o texto longo foi substituído por um vídeo, as correntes também são as mesmas, adaptadas, claro. Os trotes e os golpes, os vírus, os mesmos, apenas um pouco mais sofisticados. Aquelas lindas mensagens motivacionais que recebia em Power Point, agora estão em forma de vídeos, mas quase sempre as mesmas. Se eu usasse o WhatsApp, minha vida seria um “déjà vu” sem fim. Não! Tô fora!

Descobri, com a minha desconexão do Whatsapp, que não há nada de errado. Às vezes, quando as pessoas sabem que você não o usa, pode ser que você perca alguma notícia durante algumas horas ou alguns dias. Também pode ser que algumas pessoas com quem você não tem uma relação estreita deixem até de se comunicar com você. No trabalho, a coisa é diferente. Até penso em usar para não ser demitida… kkkk!

É muito provável que, no futuro, depois dessa dose viciante, acabemos usando as mensagens instantâneas de uma forma um pouco mais inteligente do que hoje, sem nos tirar da nossa vida real. Enquanto isso, é melhor não perder a cabeça nem esquecer que quase sempre a melhor comunicação é a que ocorre cara a cara.

Por isso, quando você quiser me encontrar e não conseguir, saiba que estou pelas ruas vendo o que por ali tem, observando as pessoas, tomando um café, vendo o movimento da vida, ou até mesmo encalhada em algum buraco devido à falta de acessibilidade. Colhendo ângulos de um mundo que também é de toque. O abraço, o aperto de mão, o olhar… foram as primeiras ferramentas ‘touch’ criadas para nos aproximar mais das pessoas que gostamos.

Beijo, me liga!

 

Leave A Reply

Your email address will not be published.